Eu tento, bem que tento, fazer com que o amor e apenas o amor me mova. Mas tem uma raiva, uma amarga raiva, que me faz querer rasgar as carnes de outras pessoas, de dilacerar corações, literalmente. Essa raiva vermelha e sangrenta me faz querer ver dor, onde já existe dor. Porque, racionalmente, sei que não sinto apenas raiva, mas pena, de gente pequena, que faz mal por não saber amar. E devagarinho, essa raiva passa, vem a tranquilidade, que me faz largar as facas, esquecer o mal que me fizeram, tentar viver sorrindo, até que eu consiga viver de amor, apenas de amor. E mesmo sangrando, de tantas feridas, vou seguindo, amando a dor.