Sobre quem é de verdade.



Antes eu tinha muitos amigos.

Muitos deles não eram de verdade.

Mas ao invés de quebrar-se,

como material barato que eram,

quebravam meu coração frágil.




Agora eu tenho bem menos amigos.

E como flores artificiais,

alguns ficam ali, tentando se camuflar.

Flores de verdade se despedaçam.

Flores de verdade se revigoram.

E as flores de plástico continuam iguais

(algumas com poeira, outras disfarçam bem).




Num dia a gente pensa

"tadinha, deixa ela ali".

Noutro a gente decide "jogar fora",

mas aí elas enganam,

com aquele brilho falso, ao sol.




E de repente a chuva lava

(e leva)

quem é tão tão leve,

simplesmente, por não ter raiz.