Não me dê atenção, mas obrigada por pensar em mim!

Eu pergunto a todos os astros, e eles me respondem. Deus também, nunca é tardio em me mostrar o que preciso ver. A única coisa que eu não entendo, é o porquê de as pessoas nunca terem tempo pra mim, quando eu preciso, mas sempre estarem disponíveis, quando só o que resta é criticar. Pra incentivar, ajudar, acompanhar, elas estão ocupadas com seus próprios problemas. Mas assim que eu falho, elas estão livres, ou arrumam um tempinho, só pra me dizer "Eu avisei!". Acho que é porque apontando as falhas alheias, elas esquecem das próprias, e isso, de alguma forma, lhes faz bem. E, assim eu passo a entender e até aceito. Se não há o que fazer por mim, que a minha situação, ainda que negativa, sirva de conforto aos demais.

Ei, Dona Inveja!

Você pode soprar, soprar e soprar, o mais forte que puder, até perder o ar.
Porque o mesmo amor que me faz leve, me mantém firme e sempre me guia pra onde realmente vale a pena voar.
Há abraços que me protegem, há beijos que me distraem, há pensamentos que me orientam.
Então, se vale o aviso, não desperdice seu tempo comigo, mesmo que ele não seja precioso, sempre é tempo de se dar algum valor.

Eu ainda quero...

Eu ainda quero me casar, ter uma casa com uma horta no jardim, piscina no quintal, cachorros e gatos enchendo tudo de pelos, crianças gritando (mais rindo que chorando), almoços de domingo na garagem, um carro que caiba todo mundo. Ainda quero caber em roupas menores e ter sempre um sorriso que não caiba em mim. Quero deitar todas as noites ao lado de quem eu amo, após colocar as crianças pra dormir e, nos finais de semana, acordar com elas pulando na cama. E depois, sentar no sofá pra assistir desenho, comendo sucrilhos no leite, com elas. Quero receber as famílias nessa casa, durante as festas ou feriados. Ainda quero ter um trabalho que me dê prazer e me realize profissionalmente e, meus filhos tenham orgulho de contar o que eu faço. Ainda quero encher o carro com todo mundo e visitar uma cachoeira, ou praia, ou lagoa, num final de semana. Também quero visitar as avós, comer bolinhos e chico balanceado. Eu ainda quero receber vasos de flores, tortinhas de limão e sonhos de goiabada. Ainda quero carinho no cabelo, beijos na testa, mãos dadas sem motivo e massagem nos pés. Ainda quero uma música pra mim, sem ter partido o coração de ninguém. Quero alegrar quem eu amo, impressioná-los e orgulhá-los pelos meus gestos simples e rotineiros. Quero arrancar sorrisos dessas pessoas, ganhar latidos e lambidas de alegria quando chego em casa. Quero cuidar da minha família, ajudar a melhorar o mundo, aprender coisas novas e, mesmo que não façam a mínima diferença pros outros, que eu possa ensinar um pouquinho de cada coisa as pessoas. Eu ainda quero ser melhor e ser feliz, mas principalmente, fazer as pessoas a minha volta, felizes. E tudo isso só vai ter valor, se eu tiver quem eu amo comigo.

Fé em Deus

Olhos no horizonte,
pés no chão,
mente aberta,
braços apertados
e coração ao vento.

Desmelodia.

Mesmo fora do tom
queria alguém pra conversar
Pra dizer que o mundo é bom
e só basta acreditar

Minhas noites tem muito medo,
ilusões e solidão
E você que dizia: ainda é cedo
Agora corre na contra-mão

Eu desisti
de tentar
entender o que é certo
eu desisti
de buscar
aprender
a viver...

Temos nosso próprio tempo
e estamos sempre atrasados
o futuro não é mais o bastante
pra quem morreu no passado

E você que dizia: ainda é cedo
Agora corre na contra-mão

Minhas noites tem muito medo,
ilusões e solidão

E você que dizia: ainda é cedo
Agora corre na contra-mão...

Ações ou Orações, é preciso acreditar!

Não há receita certa pra ser feliz. É tudo relativo. Há muitos que tendem para o certo, para o que, dentro dos padrões, possivelmente seja o certo. Mas e a parte de tentar? De insistir, ainda que no erro e, um dia, depois de tudo que fizer, ser feliz? Só há uma maneira de saber: arriscando. A vida é isso, descer o pé da cama e correr o risco de escorregar, dar um passo após o outro e ter medo de cair. Mas há uma infinidade de motivos que nos impulsionam a levantar, mesmo que demore, será no tempo certo, porque tempo certo é aquele que acontece, sendo da nossa vontade ou não. Eu sei de tudo isso, sei de tantas coisas, mas a única coisa que preciso saber é justamente o que não sei. Irônico? Muita gente pode já conhecer esse caminho pelo qual estou andando, mas nenhum conselho ou aviso marcará o chão com as minhas pegadas. Não são os outros que devem contar a minha história. Se a Chapeuzinho não tivesse ido pela floresta, o lobo ainda estaria vivo, aterrorizando criancinhas indefesas. É preciso coragem para buscar o sucesso almejado, mas é necessário mais coragem ainda, para se enfrentar o que pode não dar certo.
O medo de decidir acaba decidindo por nós. Afinal, o tempo é algo muito sério e imprevisível; as coisas mudam o tempo todo. Não devemos contar com fatos que ainda não aconteceram; sim, são possibilidades. Mas não há como prevenir-se de tudo, pois nem tudo é simples como chuva ou sol. Às vezes, na vida, há tantas possibilidades que nos assustamos e ficamos indecisos. Se é pela razão, ou pelo coração, isso vai depender do quanto pesa cada um deles, em cada um de nós.
O que eu digo, é o que eu acho que sei e, pode ser que eu erre no que eu digo, ou até no silenciar, mas é assim que pretendo fazer minha vida, agindo conforme acredito. Pois certamente é melhor errar por nossas convicções, que por imposições ou certezas alheias.

Letras trocadas com amor

Amar é...
a maré
nos leva a afogar
e ao amanhecer
nos salva sem nadar;

Amar é...
é rama
que se espalha no coração
e só se pode arrancar
retornando os pés ao chão;

Amar é...
o remo que não a rema
e se deixa navegar
a esmo, mesmo, só por amar;

O silêncio de um mergulho na alma

O gosto amargo da solidão está apenas na boca. O tempo é um santo remédio, sabemos. A novidade é que não há necessidade de desespero, pois sozinha consigo ter a mim, mesmo perdida. Se o tempo é de chuva, ou de madrugada, não há coisa melhor que recorrermos ao nosso centro e, perguntarmos ao fundo da alma, o que estamos sendo (nem sentindo, nem querendo). Não ouso dizer que sou feliz, agora. Muito menos triste.
Sou água de lago no outono, na qual as folhas viajantes pelo vento, pousam, mas não chegam a tremular. Não me atire pedras, pois certamente não verá mais esta beleza tão clara e límpida. E, só mergulhe em mim, se souber nadar em tempestades e flutuar na calmaria que a sucede.

Hipocrisia inquisitória

É muito fácil cobrar que eu seja madura, quando estou sendo filha. Da mesma forma que é fácil cobrar que eu acate às ideias dos mais velhos, quando estou sendo responsável e maternal. As pessoas não tem direito de me julgar. Não porque eu não as julgo, mas porque todos cometemos os mesmos erros, apenas de maneiras diferentes. Assim como as coisas que estão predestinadas a acontecer, serão, porém o que fará com que aconteçam da melhor ou pior forma, são as atitudes que tomamos. Eis o papel do livre arbítrio.
Às vezes, eu acho que não devemos nos sentir culpados pelas coisas que vão acontecendo, mas também, somos responsáveis pelo que plantamos. E então, eu não entendo. Aliás, entendo que não há o que entender, o que importa é não julgar.

Acordes.

Há dias em que acordamos com todos os sonhos na cabeça, e antes que eles possam chegar em nossas mãos, algo os desfaz, tornando as paisagens de verão em tempestades cinzas, fazendo com que as melodias que antes nos inspiravam a mente, sejam massantes e façam doer, não só os ouvidos, mas a alma. Há dias em que mesmo antes de levantarmos da cama, os castelos de areia que construímos ao sonhar, sejam derrubados pelas ondas de minutos que vão passando, sem piedade alguma, sem trazer nada de bom, apenas levando consigo toda calma e imaginação que antes havia ali. Há dias em que seria melhor não acordar.


Antônimo.

Ele não ouve as músicas que eu gosto, não diz o que eu quero ouvir, não faz o que eu gostaria, não concorda com meus pontos de vista, não me abraça quando preciso, não me faz rir, não sabe me fazer parar de chorar, não abre a porta pra mim, não me espera, não me faz companhia, não acredita em mim, não me entende, não me dá presentes, não toca músicas pra mim, não sente ciúme, não me faz surpresas boas, não deixa eu escolher, não me deixa orgulhosa, não me consola, não me beija, mas não me deixa.

Parece Loucura

As coisas são como devem ser.
Se é pavê é pra comer.
Eu nasci assim, nem sei porque.
Minha vó acha que a vida é mais bela na tv.

Se São Thomé fosse cego, não acreditaria em nada.
A verdade aparece quando é de madrugada.
Passarinho canta e se diverte, achando que é piada.
Só tenho fé naquele ser que segue a própria estrada.

Se o gato mia, a luz acende.
Telefone toca, a gente atende.
Nem toda vítima é inocente.
e é errando que se aprende.

Quando seu gato pôs um ovo, eu chamei de evolução
Entrei no mato sem cachorro e tive um dia de cão
tudo que faço é pecado e do diabo comi o pão
Já que a cabeça não funciona, tatuei um coração.
 
Aquilo que não faz sentido,
só é entendido no final.
Eu sinto que quando eu explico,
só eu me acho o maioral.

Você vai lembrar de mim...

São três horas da manhã, mas ninguém me liga, muito menos alguém me entende. Não, ninguém me chama e a alegria não passa por aqui. Oh, meu amor, isso é amor? Se isso é amor, o que mais o "resto" pode ser?  Estou tentando aprender também. Sigo as vozes do sábio e louco Raul, e permaneço na minha teimosia, de nunca deixar de tentar. Tento, tento outra vez e de novo. O tempo não para, a vida é tão rara e, quando tudo pede um pouco mais de calma, eu finjo ter paciência. Porque já disseram os Guns: tudo que precisamos é um pouco de paciência. E é tanto, é tanto, mas se ao menos eu soubesse, o que eu quero tanto. Essa noite Bob Marley se orgulharia de mim, porque não, não chorei mais, embora as lágrimas de chuva molhem o vidro da janela da minha alma e eu, oceano.
Bem que eu quis, antes de tudo, já ser feliz...

Telefone - Nasi e Fernanda Takai
O que eu também não entendo - J. Quest
Tente outra Vez - Raul Seixas
O tempo não para - Cazuza
Paciência - Lenine
Patience - Guns 'n' Roses
É tanto - Skank
No, woman no cry - Bob Marley
Lágrimas e chuva - Kid Abelha
Oceano - Djavan
Bem que se quis - Marisa Monte

Agora sim, agora não. Agora...

Assim como em uma montanha-russa, são os acontecimentos recentes. Agora tá tudo bem, e ainda agora, já não está. E exatamente quando decidimos que vamos mudar, melhorar, ser bons e pacientes, é justamente quando temos as maiores provações para não ser. E aí pensamos: bem agora que eu... bla bla bla...? Pois é, é bem nessa hora, que devemos manter o foco, ter fé em nós mesmos e, mesmo que pareça impossível, não nos deixar abalar. Tudo isso é pra mim mesmo, numa das minhas tentativas, geralmente frustradas, de "não deixar a peteca cair", e me convencer de que consigo, se realmente quiser.

I want you.

Porque, às vezes, precisamos lembrar onde guardamos a chave dos nossos corações.

Infância

A beleza da vida está nas coisas que nos fazem felizes... E às vezes precisamos deixar de tentar esquecer o passado e lembrar o que nos fazia rir, mesmo sem dentes. :) 

Óculos quebrado.

É tempo de reformas, daquele jeito que sabemos fazer... talvez não seja o jeito que todos aprovam, nem o melhor jeito, mas sim aquele que conseguimos e colocamos nosso jeito nele. Nem tudo deve ser descartado, devemos tentar até quando pudermos... e se a vida nos proporcionar óculos novos, devemos tratar com respeito aquele que nos acompanhou e ajudou a enxergar tudo, por muito tempo... assim deve ser com as pessoas.

E aquele livro dos Beatles...

E toda vez que eu ouso batucar da maneira correta, como amadores que tentam seguir o mestre, então eu me lembro de você, como um sonho, por fora cítrico, azedo e engraçado, mas por dentro muito doce, suave, macio. A perfeição do que precisamos nos dias: uma boa companhia, algumas risadas, algum olhar distante e boas e longas conversas, sempre numa velocidade exagerada, de cá pra lá e lá pra cá. Você não parava, e o tempo não pára. Eu sinto tanto a sua falta. Foi tão pouco tempo, mas mas mas mais que suficiente pra eu lembrar de você como lembro daqueles que fizeram a diferença. Não foi intenso, não foi duradouro, foram dias bons, foram carinhos nas palavras disfarçadas e secas. Você deveria estar aqui, mas eu tenho fé (muita fé) que a vida sabe o que está fazendo com você. Camisetas antigas, óculos de pai, fardas, farras, redes e sonecas, cabos e rodos, café café café e a música, o livro dos Beatles... Jazz, blues, e a melancolia que você deixou pra trás, com tudo que ficou. Esse tempo vai passar, assim espero. Quero ter o alívio na alma, de te ver bem, feliz, sossegado. Esse tempo não volta. E eu fico esperando notícias suas, porque não ouso entristecer nossos amigos com minha saudade de você. É difícil pra todos nós, mas eu sei que mais difícil ainda é pra você, e isso me deixa pior. Sinto sua falta.

Além do Horizonte

Eu venho dizendo a mim mesma que é possível seguir, mas há uma linha, fina e contínua, que me barra como um muro de concreto, e me faz insistir e quebrar a cara, toda santa ou não tão santa vez.
Essa linha não é visível a olhos nus, é preciso vestir-se, mascarar-se de destino, e então, apertar bem a vista, pra enxergá-la ao longe, mestra em impedir de ir aonde eu sonho em chegar.
Uns chamam de horizonte, eu chamo de cofre de sonhos: depositamos nossos sonhos lá e o horizonte os guarda pra sempre, como uma garantia, de que você nunca deixe de sonhar, já que seu sonho nunca se tornará realidade.

"Os sonhos vêm, os sonhos vão... e o resto é imperfeito". Tudo aquilo que é paralelo aos sonhos, não me agrada, por ser tão real e eu não poder mudar justamente nada, nessa tal realidade. Esta, a qual me limita, me define, me faz não caber em nada, de tamanha grandeza que sou feita, de tamanha dimensão da minha importância, faz com que eu não pertença aqui, nem sequer ao lado de quem me faz tão imensa.

"Disseste que se tua voz, tivesse força igual à imensa dor que sentes, teu grito acordaria, não só a tua casa, mas a vizinhança inteira"...

Eu conto os dias, conto as horas pra te ter...

São pequenos instantes em que me encontro sozinha. Acho que, aos poucos, estou conseguindo ouvir meu filhote falando comigo. Não é uma questão de impressão, mas de fé. Essa coisinha, sementinha de Deus, nem saiu da sua fortaleza e já tem tanta responsabilidade.

Mas não quero, nem pretendo, sobrecarregar minha cria, embora a expectativa sobre ela seja grande. Expectativa de que el@ salve o mundo, ainda que no vídeo game, ou nos contos de fada. Não vejo a hora de tê-l@ em meus braços, mas sei, de certeza, que el@ nunca mais estará tão seguro e imune ao mundo, que quando dentro de mim. É certo que não quero desencorajá-lo a sair, pois embora esse mundo seja cruel, a vida ainda é bela, difícil, porém bela.

=x


Não quero lhe falar meu grande amor...

O silêncio nunca foi minha companhia preferida, mas às vezes me cai bem, como uma luva, esbofeteando minhas faces, trazendo à tona todos meus pensamentos e, transformando-se em gritos aqui em mim.

Eis a definição certeira: quando o silêncio surge no ambiente, os gritos começam na minha mente. E cessam, com as lágrimas, nem sempre visíveis, mas tão densas quanto os olhos temem suportar.

Sabe a sensação?

Sabe a sensação...
De ter o mundo em suas mãos e não conseguir segurá-lo?

As coisas sempre se ajeitam e o universo sempre conspira a seu próprio favor. Deus não hesita em manipular-nos, seja para nosso bem ou para tirar-nos deste caminho de escolhas. Estas, que eu insisto em dizer: são as responsáveis por mudar os meios, porém sem êxito algum em alterar os fins.
Não ouso aceitar os rótulos que me são postos, de fora para dentro. Porém, os que são postos de maneira contrária (de dentro para fora), estes são tatuagens, cicatrizes que me distanciam da igualdade com o mundo externo. Porque estou do avesso, com a pele surrada à mostra.
A maioria das pessoas guarda suas cicatrizes do lado de dentro, com uma versão aceitável disso tudo, na parte de fora. Algumas continuam arranhando-se por dentro, até o fim de seus dias.
Talvez eu seja uma dela, revivendo traumas diariamente, sonhando com as mesmas ilusões passadas, sofrendo com dores antigas e repetidas.

telefone.

Às vezes, algumas coisas realmente mágicas acontecem e, simplesmente, mudam a cor do nosso dia. E não importa o quanto tentemos explicar ou expressar nossa sensação em tais momentos, nunca conseguiremos causar o mesmo efeito que sofremos, nos outros.

Cada segundo é único e, cada primeira vez só acontece uma vez (relativamente).
E eu, que sempre te olhei, percebo que não te via, enquanto você me observava.

 Essa última parte pode não fazer muito sentido a quem lê, mas não faltam sentidos a quem vos escreve.

So kiss me...

E ela, tão romântica, tão antiguista, tão cheia de pó de arroz e rímel borrado, nunca deixará de sonhar com a velha infância, com casamentos caipiras e cabanas no meio da sala de estar. Talvez a crueza e crueldade do seu punk, a libertinagem livre e woodstockiana do seu rock, não se encaixem nos sonhos dela, que tem a mente livre, mas o coração eternamente preso às rosas secas e sem perfume, no meio da sua agenda de anotações, que ao invés de compromissos, marca sonhos que nunca serão sonhados acordados. Esse seu tom até é divertido, diferente, mas não é pra ser ouvido todos os dias, como aquela melodia suave que se encaixa perfeitamente em qualquer momento. Faz falta gritar e cantar e pular, acenando ao vento com os braços, balançando o cabelo. Mas é preciso sintonia, melodia, não acordes dispersos que não tem nexo. É preciso agitar-se gradualmente, de um beijinho doce, inocente, de cartões apaixonados e bilhetes na geladeira, até noites de paixão caribenha e lambada efervescente. Não há como, perante tamanha melancolia, acompanhar o seu ritmo tão realista, cheio de cinza de cigarro e azul de frieza. De tanto drama e depressão, roxos e vinhos e vermelhos que escorrem pelos braços, ela só queria o azul clarinho do lençol, um abraço suave, mas sem culpa, sem pensamentos, só paz.

Acho que é isso, descobri! Estou tão coberta de realidade, tão sufocada, sem espaço pra respirar meus planos vagos e sonhos tolos, que a janela talvez não seja mais o lugar mais indicado e sim, perigoso. Há tanta vida lá fora, e aqui dentro sempre, como uma onda no mar.

Axé, que mate! :)

Pela manhã, morro de sono. No almoço, mato a fome. Durante a tarde, quero matar alguém. À noite, morro de preguiça e luto com o sono, que finalmente, mato durante a madrugada. E, por "fim", ao acordar, estou na guerra novamente.

Matando e morrendo durante a rotina, vivendo como dá, sendo como posso. E se eu morro tanto é porque vivo, vivo muito. Vivo por amor, vivo pra sofrer, vivo "pra" viver. Porque se eu vivesse "por" viver, estaria vivendo pra morrer. E aí então, já estaria morta.

Minha cabeça me mata. Pensamentos que podem ser minha perdição, vão e vêm como bumerangues, os quais eu nunca quis jogar.

Meu amor me move. Sentimentos que podem me salvar a vida, insistem em parecer estátuas de pedra, ao invés de derreterem-se por aí.

E mesmo que eu viva morrendo e matando a sede de viver, minha fé me regenera.

Mas tome cuidado, pois nenhuma guerra é pela paz. Para alcançar a paz, é preciso, primeiro, deixar de lutar e permitir que a luz que vem como uma bandeira branca dos céus, ilumine seu campo de batalha e faça brotar flores em meio aos vários leões que você mata por dia.

Vou ali tomar um mate, já volto.... estou morrendo de saudades! :)